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Como o uso de TI desmaterializa a mobilidade e aumenta a acessibilidade

por Alice Ratton Coppos*

Com a urbanização global em ascensão é inevitável o aumento brutal de consumo de energia, de água, de construções em moradias e de uso de transportes. A expansão do consumo de recursos naturais para suprir a demanda da população carrega consigo o problema de exaustão de disponibilidade. O aumento da mobilidade urbana, além de contribuir com o consumo de fontes finitas, como o combustível fóssil, é grande responsável pelas emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Combater o aquecimento global atendendo a meta de aumento máximo de temperatura média do planeta em 2 graus Celsius até 2100, determinada pelo Relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (Intergovernmental Panel on Climate Change – IPCC), é hoje em 2017 um dos maiores desafios mundiais. Além de erradicar a pobreza, diminuir as emissões de GEE é o principal objetivo da ONU para atingir a meta.  Torna-se necessário fazer com que haja um descasamento entre o aumento de produção/demanda e o consumo de fontes energéticas em que o aquecimento global se apoia. O aumento da mobilidade, que é inerente à expansão urbana, precisa se adaptar e se adequar criando e inovando novas formas para que seu impacto negativo seja o menor possível nas mudanças climáticas.

Com as inovações de processo e de mobilidades inovadoras surge a economia de baixo carbono. À medida que os recursos vão se esgotando e a necessidade de diminuição de emissões vai aumentando, as inovações de: TI como aplicativos que evitam deslocamento ou promovem economia compartilhada; de fontes energéticas como o de biocombustíveis menos poluidores; e de novas políticas de uso do solo e de infraestrutura ocupam lugares privilegiados ao oferecer alternativas sustentáveis.

 

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Procurando mitigar os problemas do aquecimento global e suas consequêencias, tecnologias que fornecem maior eficiência de consumo, que utilizam fontes de energia alternativas renováveis são cada vez mais desenvolvidas. Busca-se conscientizar toda uma sociedade a ser cada vez mais sustentável empregando a filosofia de economia circular e de baixo carbono.

Consumir conscientemente consiste em abandonar o modelo econômico de “extrair, transformar, consumir e descartar” e migrar para o novo modelo regenerativo e restaurativo, desmatertializando a população. A economia circular se baseia em um ciclo de desenvolvimento positivo contínuo que preserva e aprimora o capital natural, otimiza a produção de recursos e minimiza riscos sistêmicos administrando estoques finitos e fluxos renováveis. Ela preserva e aumenta o capital natural desmaterializando os produtos e serviços, usufruindo os meios virtuais sempre que possível. A economia circular fomenta a eficácia do sistema pois, para funcionar, necessita que relações entre as partes (indústrias, consumidores, fornecedores, empresas) compreendam bem seus negócios, suas linhas de produção, suas logísticas para que se influenciem mutuamente.

Ou seja, investir na conectividade e introduzir tecnologias que viabilizem o fluxo de produtos e serviços é primordial para maximizar a satisfação de seus “neo-consumidores”.

A informatização da sociedade e a ampliação do uso de tecnologia estimula o desenvolvimento de novos modelos de negócio. O modelo de compartilhamento dos meios de transporte teve uma ascensão considerável nos últimos quinze anos e com ele surgiram diversas plataformas informáticas de uso. A criação de novos aplicativos fomentou e continua fomentando o crescimento da oferta de serviços e evita ou facilita a mobilidade. Alguns fornecem melhores rotas de viagem evitando engarrafamentos, e outros facilitam o uso de meios de transporte alternativo. Outras plataformas incentivam o usuário a evitar o deslocamento diminuindo o fluxo de veículos nas ruas, trabalhando de casa, comprando de casa e até mesmo trazendo o lazer para dentro de casa. Empresas buscam investir em mobilidade corporativa, incentivando o uso da economia compartilhada para alcançarem melhores rendimentos internos e para colaborarem com o meio ambiente. Com a população cada vez mais conectada, o desenvolvimento de TI é responsável não somente pelo aumento da acessibilidade democrática, mas também por proporcionar acesso sem deslocamento físico contribuindo para um mundo mais sustentável.

*Alice Ratton Coppos tem 31 anos e estuda na COPPE/URFJ

**O texto acima é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Climate Journalism.