APRENDA

Introdução
A vida como conhecemos depende diretamente do equilíbrio climático para existir. Quando a energia do sol chega ao nosso planeta, uma parte é refletida ao espaço, e outra é absorvida pelos oceanos e pela própria superfície terrestre, graças aos chamados gases de efeito estufa (GEE).

O efeito estufa é um fenômeno natural que permite a vida na Terra a uma temperatura média de cerca de 15º Celsius. Basicamente, se este efeito não existisse, o planeta teria temperatura média de 18º Celsius negativos, impensável para as formas de vida existentes hoje.

Quais são os gases de efeito estufa?

  • Vapor D’Água (H2O): Camadas baixas da atmosfera
  • Dióxido de Carbono (CO2): Utilizado como referência para classificar os outros gases causadores do efeito estufa.
  • Gás metano (CH4): Abundante em aterros sanitários, lixões, reservatórios de hidrelétricas e na criação de gado. Tem poder 21 vezes maior do que o CO2 para ocasionar o aquecimento global
  • Óxido nitroso (N2O): Poder 310 vezes maior do que o CO2, resulta principalmente do uso de fertilizantes, queima de combustíveis fósseis e de alguns processos industriais
  • Gases fluorados: Sintéticos, entre eles estão Hexafluoreto de enxofre (SF6), Hidrofluircarbonos (HFCs) e Perfluorcarbonos (PFCs)

Mas o efeito estufa pode se tornar um problema, se agravado. E é isso o que vem acontecendo desde a Revolução Industrial, quando a camada de gases de efeito estufa na atmosfera se tornou mais espessa, retendo mais energia solar e consequentemente calorna superfície do planeta. A isso damos o nome de aquecimento global.

Ele, por sua vez, é o responsável por uma série de efeitos devastadores, como o derretimento das calotas polares; elevação do nível das águas, o que pode levar ao desaparecimento de ilhas e áreas litorâneas povoadas; desertificação; destruição de habitats naturais e alterações climáticas que geram acréscimo de períodos de seca, furacões, tornados, tsunamis, inundações e outros eventos naturais.

Os problemas causados pelas mudanças climáticas são democráticos: hoje ou daqui a alguns anos, todos sentiremos, em qualquer região do globo. Por isso, é um tema que diz respeito a qualquer cidadão do planeta, de qualquer setor da sociedade. É necessário construir um futuro, começando pelo presente, com uma economia de baixo carbono, a verdadeira chave para mitigar os piores impactos das alterações no clima.

O planeta está esquentando, e, de acordo com os cientistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês), é preciso manter o acréscimo da temperatura na Terra em no máximo 2º Celsius até 2100, e mesmo assim, ainda teremos severas consequências. Hoje, esse número já está em 0,8º C, em média.

Os impactos no clima, na economia e na sociedade já estão em curso. Nós podemos evitar problemas maiores. Mas é preciso agir já. Com ação, inovação e transformação, simplesmente em todos os setores. O jornalismo tem uma importante ferramenta em mãos: a habilidade de contar histórias. Vocês, jovens estudantes de jornalismo, podem ajudar a reescrever o curso do planeta.

Cenário Atual e Futuro
As consequências exatas do acréscimo da temperatura no planeta são imprevisíveis, mas os cientistas concordam que há 95% de chances das mudanças climáticas existirem, já estarem ocorrendo e serem de responsabilidade dos seres humanos. Há oportunidades para alcançarmos o desenvolvimento de baixo carbono. No Brasil, por exemplo, o desmatamento é o maior vilão das emissões de carbono, e não a energia, como é o caso de outros países. Ela, porém, começa a ser um problema maior, em função de que as hidrelétricas começam a produzir menos energias e existe a compensação com termelétricas, fonte poluidora e responsável pela emissão de muitos gases de efeito estufa.

Hoje
+0,8º Celsius

Consequências Prováveis
Aumento de ondas de calor
Aumento de 0.85M no nível dos oceanos (1990 a 2100)
Cidades costeiras: inundação
Maior volume de chuvas fortes
+30% de acidificação dos oceanos
-15% de redução dos níveis de gelo no Ártico

O mínimo
+1,5º Celsius

Consequências Prováveis
Aumento de ondas de calor
Aumento de 0.85M no nível dos oceanos (1990 a 2100)
+7% de chuvas fortes
Corais param de crescer em virtude da acidificação
+7,5% de furacões destruidores
15% de redução dos níveis de gelo no Ártico

Pelo que Lutamos
<+2º Celsius

Consequências Prováveis
Ondas de calor anuais na Europa
Aumento de 1.04M no nível dos oceanos (1990 a 2100)
+13% de chuvas fortes
Corais são dissolvidos em virtude da acidificação
+15% de furacões destruidores
30% de redução dos níveis de gelo no Ártico

O Que Não Podemos Aceitar
+3 a 4º Celsius

Consequências Prováveis
Itália, Espanha e Grécia: desertificação
Aumento de 1.24M no nível dos oceanos (1990 a 2100)
+20% a 26% de chuvas fortes
Corais morrem em virtude da acidificação
+22,5% a 30% de furacões destruidores
40% a 60% de redução dos níveis de gelo no Ártico
40% de espécies em risco de extinção

O Pior Cenário
+5 a 6º Celsius

Consequências Prováveis
Não sabemos o que pode acontecer com o clima
Aumento de 1.43M no nível dos oceanos (1990 a 2100)
+35% a 42% de chuvas fortes
+150% de acidificação dos oceanos
+37,5% a 45% de furacões destruidores
75% de redução dos níveis de gelo no Ártico
Número desconhecido de espécies em risco de extinção

Mudanças Climáticas e Cidades
Você sabia que, atualmente, mais de 3,5 bilhões de pessoas moram nas cidades mundo afora? Isso significa uma pegada climática bem grande: cerca de 70% das emissões de CO2 no mundo são geradas por residentes do ambiente urbano. Entre as principais causas, estão os meios de transporte, as indústrias (e, por sua vez, o consumo), a redução das áreas verdes, a incorreta destinação de resíduos sólidos, a construção civil, a matriz energética, entre tantas outras.

Só no Brasil, 84% da população já vive em cidades, sendo que 70% estão em zonas costeiras, o que nos torna ainda mais vítimas das mudanças climáticas. E essa urbanização rápida, desordenada, gerou uma série de problemas, sociais, econômicos e, claro, ambientais.

Ao mesmo tempo, é nas cidades onde estão as principais oportunidades de mudanças, as tecnologias, as empresas e os recursos para everter o atual quadro de degradação rumo a um futuro mais justo e equilibrado para todos.

O WWF e o ICLEI perceberam isso e criaram o Earth Hour City Challenge (Desafio das Cidades da Hora do Planeta), um concurso global em que as prefeituras interessadas cadastrem suas ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Uma auditoria terceirizada avalia todas as informações reportadas na plataforma Carbonn, administrada pelo ICLEI em parceria com a ONU e o C40.

No Brasil, em 2015/2016 estamos no terceiro ano consecutivo. O Desafio indica quais cidades estão tratando o tema com a urgência devida, e no que ainda podem melhorar.

São muitos os temas relacionados às mudanças climáticas e cidades. Seja criativo!

Mobilidade Urbana
Você já parou para pensar que a forma como se desloca todos os dias está diretamente relacionada às mudanças climáticas? O setor de transportes consome, atualmente, um terço de toda a energia brasileira e é responsável por também um terço das emissões de gases de efeito estufa. Além disso, é o setor cuja participação no total de emissões do Brasil mais cresce.

Tal quadro se deve principalmente ao transporte rodoviário de carga e de passageiros que depende enormemente de combustíveis fósseis. Para se ter uma ideia, cerca de 80% das emissões totais do setor de transportes no Brasil tem origem na queima de combustível do modal rodoviário. Ou seja, se o país quer zerar suas emissões e fazer sua parte no combate das mudanças climáticas, vai precisar fazer a lição de casa e transformar a maneira omo os brasileiros hoje se deslocam.

É fundamental buscar soluções como motores de carros e de ônibus mais eficientes, investimentos em modos de transporte não motorizados como caminhar e pedalar, incentivos para a implementação de tecnologia de motores elétricos e a criação de políticas públicas que privilegiem o transporte público coletivo como faixas exclusivas de ônibus. Muitas dessas opções de ações estão nas mãos dos governos e das prefeituras e poderiam ser implementadas nas cidades.

Melhorar a qualidade da mobilidade urbana não apenas favorece o fluxo do trânsito. Melhor mobilidade significa uma queda nas emissões de gases do efeito estufa e melhoria na qualidade de vida da população que perde menos tempo em engarrafamentos e pode curtir com sua família e amigos e que respira um ar mais limpo e tem mais saúde.


COP de Paris
Entre novembro e dezembro de 2015 aconteceu a COP de Paris, Convenção da ONU que discute com os principais líderes globais um novo acordo de redução das emissões de carbono no mundo. Há 21 anos, o mundo debate o mesmo assunto, e ainda há muito a ser feito. Muito mesmo.

Cronologia:

  • 1992: Rio-92, no Rio. Brasil é o primeiro país a assinar a Convenção do Clima. Confira a Declaração do Rio aqui.
  • 1997: Protocolo de Kioto é assinado. Veja mais aqui, no site do Ministério do Meio Ambiente.
  • 2005: Protocolo de Kioto é sancionado. Sucesso muito parcial. O que sobreviveu dele, basicamente, foi o arcabouço legal que diz aos países como cortar emissões, e quanto.
  • 2009: COP de Copenhague, enorme expectativa, maior cobertura da mídia de uma Convenção como esta. Fracasso nas negociações, principalmente por culpa de Estados Unidos e China.
  • 2011: Definido que, em 2020, novo acordo climático entra em vigor.
  • 2015: Na romântica e linda Paris, o mundo assinou o Acordo de Paris!

O que o Brasil pretende fazer:

Meta de Emissões de CO2 eq em 2030: 1,3 bilhão de toneladas (redução de 43% em relação ao ano base de 2005. Mas em 2012, diz o governo, já atingimos 41% de redução, então estamos falando de mudança mínima para 2030)
Energia: Meta macro é elevar a participação de renováveis na matriz energética até 45% até 2030. De energia eólica, solar e biomassa, espera-se 23%. Isso significa reduzir o ritmo atual de contratação desse tipo de energia nos leilões do governo.
Floresta: Promessa de fim do desmatamento ilegal na Amazônia apenas até 2030. Mais 15 anos de tolerância, e prazo indeterminado para outros biomas.
Agricultura: Recuperação de áreas de pastagens, produção de modelos que combinem mais floresta nativa e agricultura.

Você também pode estudar sobre o REDD+, que é a redução de desmatamento e degradação florestal, aqui.

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