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A Bicicleta como Meio de Transporte em Pelotas: Desafios e Potencialidades


por Vivian Vaghetti Vieira*

As bicicletas são cada vez mais vistas nas ruas de Pelotas. Esse é o resultado dos avanços alcançados na infraestrutura do transporte cicloviário nos últimos anos. A cidade já superou a malha cicloviária de Porto Alegre em 300 metros e, segundo o Governo Municipal, ainda em 2017 serão entregues mais 15,5km de ciclovias e ciclofaixas à população pelotense.

A topografia predominantemente plana de Pelotas e as distâncias relativamente curtas entre o centro e os bairros favorecem a prática do ciclismo. Com uma população estimada de 343.651 habitantes (IBGE – 2016), e uma frota de 112.745 automóveis e 43.521 motocicletas (Departamento Nacional de Trânsito – DENATRAN – 2015), a bicicleta seria uma resposta sustentável ao crescente fluxo de veículos automotores.

Há um ano a Designer Mariana Almeida pedala em média 20km diariamente. Ela utiliza a bicicleta como meio de transporte para trabalhar, fazer compras, visitar parentes, e levar seu filho na escola. “A bicicleta foi um jeito de unir uma forma fácil de me locomover, fazer meu exercício e também colaborar para um mundo mais sustentável e com menos impacto ambiental”, explica Mariana.

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Mariana pedala por um mundo mais sustentável

Desafios culturais
A ciclovia da Avenida Dom Joaquim, localizada na Zona Norte do município, é um bom exemplo de mobilidade urbana focada nos pedestres e ciclistas. A via é composta pelo passeio com pavimentação em saibro para a utilização de pedestres, e pela ciclovia pavimentada com blocos intertravados que drenam a água da chuva, contando ainda com sinalização vertical e horizontal para os ciclistas.

Apesar do desenvolvimento da cultura do uso da bicicleta como transporte em Pelotas, o respeito ao espaço do ciclista ainda não é o ideal. “Para usar a ciclovia aqui na Avenida Dom Joaquim a gente tem que desviar dos pedestres, e isso é muito perigoso para todo mundo. Então, são problemas mais de cultura que a gente tem enfrentado, não tanto de infraestrutura. A gente tem uma malha legal de ciclofaixas que cobre toda a cidade”, lamenta o Estudante e Arquiteto de Informação Lucas Lopes.

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Pedestres e ciclistas utilizam as vias urbanas indevidamente

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), bicicletas não podem circular nas calçadas sem a autorização da autoridade de trânsito e a sinalização adequada. Da mesma forma, pedestres também não podem transitar pelas ciclovias e ciclofaixas. Mas o que se observa nas ruas são pedestres se exercitando nas ciclovias, e muitos ciclistas utilizando a calçada.

Potencialidades
Várias iniciativas sociais de cicloativismo têm lutado pela causa da mobilidade urbana sustentável. O Movimento Dos Usuários De Bicicletas De Pelotas (MUBPel), Pedal Curticeira e Pedal Dominguera atuam na cidade cobrando a melhoria das condições cicloviárias, e também fazendo intervenções urbanas aonde o poder público ainda não chegou.

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Malha cicloviária é a maior do Rio Grande do Sul

Segundo a Secretaria Municipal de Gestão da Cidade e Mobilidade Urbana, um dos objetivos do Plano Diretor de Pelotas é a estruturação do sistema viário urbano com controle e preservação da qualidade do meio ambiente e a proteção do patrimônio histórico e cultural do município. A secretaria acredita que reduzir a vulnerabilidade do ciclista nas vias estimula mais pessoas a utilizarem a bicicleta, contribuindo não só para a saúde e economia dos pelotenses, como também para a sustentabilidade ambiental.

O aumento da estrutura cicloviária tem incentivado o uso da bicicleta em modelos de negócios, como os chamados “Food Bikes” e serviços de entrega com bicicleta. Muitas empresas também têm fomentado a prática do ciclismo disponibilizando bicicletas para empréstimo e investindo em bicicletários para facilitar a vida de quem usa esse meio de transporte. Atualmente, mais de 30 mil pessoas utilizam bicicleta em Pelotas, e estima-se que esse número cresça ainda mais nos próximos anos.

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Food Bikes se popularizam em Pelotas

*Vivian tem 26 anos e está no 7º período de jornalismo da Universidade Católica de Pelotas (UCPel).
**O texto acima é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Climate Journalism.