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7×1 para o trem alemão

Por Alessandra Petaglia, Heloisa Aun e Lucas Veloso

“O transporte é bem complexo”, essa é a frase que definiu o nosso primeiro dia na Alemanha, para cobrir a COP 23. A história é longa, mas vale a pena ser contada. Tudo começou na quinta-feira, dia 09, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando nos encontramos nervosos com a oportunidade de realizar nossa primeira cobertura internacional. Para marcar esse momento, uma foto próximos ao avião não poderia faltar. No entanto, o que era apenas um retrato, tornou-se quase um book de selfies até que nos demos conta de que nosso avião estava prestes a partir.

Embarcamos na viagem de 12 horas rumo ao aeroporto de Frankfurt, o nono maior do mundo e que serve como passagem a milhares de viajantes em todo o mundo. Chegamos com tempo nublado, chuva e muito frio ao nosso primeiro destino. Preparamos nossos casacos para continuar a saga, já que agora tínhamos que encontrar a plataforma de embarque do trem que nos levaria a Colônia. O aeroporto é gigante e fomos ao balcão de informações três vezes para encontrar o lugar certo. Na terceira vez, quando o atendente nos viu novamente, começou a sorrir ao perceber que estávamos totalmente perdidos.

A viagem começou com um voo de quase 12 horas até Frankfurt
A viagem começou com um voo de quase 12 horas até Frankfurt

Por causa da confusão, perguntamos informações para algumas pessoas, entre elas, para um casal que estava em uma das plataformas de embarque do trem. Eles olharam nossas passagens e disseram que, na verdade, a continuação seria de avião e não de trem, como pensávamos. Isso nos confundiu ainda mais, até que um funcionário nos indicou o caminho certo: a plataforma 6. Olhamos os mapas, as indicações e confirmamos que era ali mesmo. Neste meio tempo, entre tanta confusões, nossos estômagos gritavam por comida. Paramos um minuto para saborear alguns sanduíches gringos.

Entramos no trem para Colônia, mas no vagão errado, o que nos levou a fazer um trajeto de uns 50 minutos a pé e segurando as malas. Na janelas, árvores com grandes copas passavam rapidamente, nos dando a sensação de estarmos em um cenário de cinema. Naqueles vagões, os únicos que aparentemente estavam tensos éramos nós, pois os demais passageiros faziam festa, gritavam, riam e bebiam cervejas. Em determinado trecho, descemos para entrar em outro vagão e tentar encontrar os lugares certos pra sentar. Fizemos isso, corremos e mesmo assim não rolou. Por fim, sentamos em lugares vagos mesmo, torcendo para que nenhum funcionário ou passageiro aparecesse indicando que deveríamos sair dali.

Chegamos na estação de Colônia, ao lado da Catedral da cidade, a Kölner Dom. Tomamos um táxi até o hotel onde vamos ficar durante os próximos dias. Dessa vez, foi fácil chegar. Entramos, guardamos nossas coisas e fomos atrás de um chip para usar internet aqui e tentar chegar até Bonn, a cidade onde a conferência do clima está acontecendo. No caminho, passamos por várias lojas de bicicleta, além de dezenas e dezenas de ciclistas pedalando nas faixas exclusivas.

A quantidade de bicicletas pelas ruas de Colônia e Bonn nos chamou atenção
A quantidade de bicicletas pelas ruas de Colônia e Bonn nos chamou atenção

Aí começa uma nova saga. Qual seria a estação mais próxima da nossa hospedagem? Não achamos outra, a não ser a central de Colônia. Chegando lá, fomos atrás da passagem gratuita para quem participa do evento, mas isso só seria possível após o credenciamento na área de imprensa. Então, pegamos filas e compramos o bilhete para ir até o local.

Tínhamos que encontrar a plataforma de onde sairia o próximo trem para Bonn. Eram por volta das 17h40. O credenciamento ia até às 19h. Achávamos que daria certo e pedimos informações para um pessoal que estava por perto. Os mapas e informações pareciam nos confundir mais do que ajudar, mas enfim, descobrimos que sairia da plataforma 9 dali uns cinco minutos, pois estava atrasado. Houve um “Graças a Deus!” ao mesmo tempo em que corríamos para não perder o transporte, já que estávamos “contra o relógio”.

O trem chegou e nós fomos sentados, meio perdidos ainda. Perguntamos mais uma vez e um homem nos indicou uma estação. Em seguida, descemos nela, procuramos saber onde era a “Bonn zone”, na qual deveríamos pegar o credenciamento, então veio a resposta de que era na próxima estação ainda. Foi neste momento que descobrimos algo que mudou nossas vidas (ou nem tanto): os trens têm um botão que se você aperta, as portas abrem, você entra e a viagem segue. Seguimos o bonde. Descemos na certa e saímos correndo, faltando 20 minutos para o fim do credenciamento.

Um cara na estação percebeu o nosso desespero e nos ajudou indicando o ônibus municipal — e movido a combustível limpo — que nos levaria até o ponto final. No frio gelado de 6°C, esperamos uns minutos até o veículo chegar e, depois de uns 15 minutos, encontramos um dos centros da COP. Vimos algumas pessoas voltando do espaço e as portas já fechadas, mas continuamos, na esperança de que alguma “alma caridosa” nos credenciasse mesmo com atraso de alguns minutos. Isso não aconteceu, aliás, iríamos nos transformar em pedras de gelo se continuássemos ali. No trajeto de volta passamos por bicicletas disponibilizadas pelo evento como uma alternativa sustentável para se locomover pela cidade. Frases de impacto estavam gravadas na bike, o que nos chamou atenção, entre elas “Salve o planeta”. Decidimos que esta seria nossa aventura de amanhã: três brasileiros de bike no frio de Bonn.

Na volta, pegamos o ônibus, um trem, jantamos em um restaurante bem aquecido e voltamos ao hotel. Se a primeira impressão é a que fica, então a nossa certamente é: tomamos mais um 7×1 para a Alemanha.

  • A cobertura da COP 23 é uma parceria entre o Climate Journalism e o Instituto Clima e Sociedade (iCS) para incentivar a produção de jovens jornalistas sobre temas relacionados às mudanças climáticas e a mobilidade urbana.